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Ser gentil é obsoleto?

15 dezembro 2017
 Misture-se com pessoas de bom coração.
O que falta no mundo é gentileza, Kim?

Andando por esses caminhos tortos foi o que pude perceber. Todo mundo grita, mas ninguém se escuta. Dói e a gente acelera frente aos muros que criamos. Os destruímos e compramos mais concreto para construir um mais forte, maior.

Quando foi que nos tornamos tão fixados em nos tornamos a nossa pior parte? É uma espécie de desafio que nunca me comunicaram? Não quero ser convidada a andar na linha dessa vida desumana. Não quero me agredir mais do que já me feri. Já não é fácil naturalmente, se ainda formos agentes do nosso pior, não acho que sobre muita coisa, a não ser, nossos cacos.

Ser gentil é obsoleto? Será que eles sabem, Kim, da sensação gostosa que toma nosso coração e se espalha por nossas terminações nervosas quando sorrimos para alguém, ou quando respeitamos quem nós mesmos somos?

Será que algum dia eles se permitiram chorar livremente sem julgamentos, olhando para fora e pra dentro, em um conflito delicioso de ser humano, de ser algo sem definições?

Não sei até quando vou saber caminhar sozinha, Kim. O mundo continua sendo nocivo, e eu continuo não sabendo muito bem como reagir. Nem ao menos sei me proteger, como posso durar lá fora, se as regras do jogo são tão distintas e nem fazem sentido?

Eu continuo me sentindo meio sozinha e perdida nesse universo de muros, amedrontada o suficiente para não me livrar dos próprios que construí em volta de mim...

Eu sou uma pessoa ruim? Não quero machucar ninguém, não mais. E muito menos tirar ou deixar de ser a possibilidade do melhor de outro alguém. Ás vezes a gente é um start na história de alguém, somos um momento, um personagem, que coloca uma existência de volta aos seus trilhos e passamos a vida inteira sem saber, sem apreciar o quão lindo é o destino, o quão emaranhados estamos.

Agora acho que ainda acredito, Kim.

Não estamos sozinhos, só estamos com os olhos fechados a tempo demais para conseguir ver isso.

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