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E aqueles que não sabiam voaram, se lançaram!

14 dezembro 2017
Cada um de nós tem aquele nó deixado por alguém. — Clarie, 1992.
Min, será que serei capaz de sorrir amanhã? O frio está de bater os dentes, e dentro de mim queima um misto de emoções angustiantes; me sinto caindo, me sinto sufocada... É como se eu tivesse dado o primeiro passo em direção ao abismo. E entrei no automático, já não controlo todo os meus movimentos, mesmo sabendo que aquela direção pode ser o meu fim, afinal, eu não sei voar.

Eu tenho medo da altura, Min! É assustador. Você também subiu alto demais para poder voltar, não? Mas você parece tão decidido, tão forte, mesmo nas suas fraquezas... Queria poder ignorar minha vulnerabilidade e aproveitar a queda livre, mas sou covarde demais para abrir mão de mim mesma, sou imatura demais para investir em um salto maior do que eu costumo dar. Não terá ninguém do outro lado, certo? Nunca tem. E você sabe bem disso.

Se eu for, irão lembrar de mim? Não me dê esse sorriso de canto, é evidente que todos lembrariam de você, mas eu não deixei nenhum legado artístico ou abstrato para milhões como você fez. Você foi forte o suficiente para cair e alçar voo contra tudo e contra todos. Você foi além, Min, você luta todos os dias contra si mesmo, contra seus medos, seus traços disfuncionais... Não ter asas não te impediu de conseguir voar e espalhar o que você é pelos quatro cantos do mundo. Mas fazer isso sem talento ou companhia não é inútil?

O que será que tem do outro lado, ou lá embaixo?

Será que é melhor do que eu tenho aqui dentro de mim?

Acho que nunca vou saber, certo? A menos que eu feche os olhos e sinta em todas as minhas células, que não compensa ficar amedrontada e parada, se eu posso aproveitar uma chance nova de me libertar de mim mesma e perder totalmente o controle dessa vida tão humana e frágil.

Somos todos frágeis, Min; você me ensinou isso, e através das teclas do piano você tocou meu coração com sua essência, evidenciando que é na nossa fraqueza que habitam o nosso forte.

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