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Sr. Destino não me recuses!

13 abril 2016
Esqueça as fronteiras: amar nunca foi um país.—  Eu me chamo Antônio.
Eu vim pegar o Sr.! Não recuse e nem recue!
Abra a porta, ou eu pularei a janela. Posso cair em cima do sofá, quem sabe... Sua janela é sem grades, como as minhas; um tentaram colocar em meu quarto, mas eu os impedi; onde já se viu? As janelas são minhas, e não dos outros, pois deixe que olhem e se inspirem, não faço caso, sou quase transparente, quem há de me reconhecer?

Mas pelas suas janelas eu reconheci o Sr. Oh meu Sr. porque demoraste tanto a voltar para o lar? Não sabes que odeio esperar muito? Embora saiba que seja preciso; e que certas esperas são o charme a mais em qualquer relação humana, não fui adestrada para tal dom.

Sei que no fundo sentiu a minha falta. Não que eu me lembre perfeitamente do Sr., mas tenho um bocado de sextos sentidos jogados na minha bolsa; e minha Intuição me sussurra que somos parceiros de longa data, daqueles que nem a vida, ou a morte, há de interromper o contato. Pois se eu não te achasse, o Sr. me acharia; sabemos bem o quanto é bom nisso. Mas não espalhe muito não; não quero perder-te. Não sei lidar com lutos, muito menos os prolongados; os repentinos e fugazes já me tiram a paz da alma. 

Imagine o quanto as criaturas ficariam loucas em saber do seu time perfeito, do seu ritmo inconstantemente belo e sedutor de todos os tempos? Eu morreria de ansiedade e assombrada pelo medo do abandono. Não ouses! Tu que me atentaste a seguir-te, agora suporte suas decisões, que em sã consciência, são puramente minhas. Pois de certo, és meu; esse fato é inquestionavelmente, meu caro. Posso perder a leveza, mas não ei de perder-te de vista, não até a próxima viagem.

Sobre leveza e delicadeza, bem sabemos que não sou nota A em nenhum desses critérios. Mas ainda assim me tomam como tal. Já você Sr. me conhece do avesso, e sabe onde me escondo quando não quero ver o mundo; ele me irrita, ás vezes. O Sr. também me deixa louca quando desaparece sem deixar vestígios, como se tudo fosse coisa da minha judiada imaginação...

Peço que não tenhas pressa! Não que eu seja calma, ou viva com uma tranquilidade invejável; só não acho justo tumultuar ainda mais nosso passeio. Passeio sem destino concreto, adianto logo. Para que final, se o que me agrade é o caminho?
 

1 Comentário

  1. Belo texto! O processo é mais importante do que o fim. A gente aprende tantas coisas nessa vida.

    http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/

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