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Os levo comigo, não como um fardo.

07 fevereiro 2017
O destino surpreende a quem anda por conta própria.  Kelly Mathies
Vai me perdoando, mas eu não sinto tanta falta dos nossos dias assim. Sei que parece cruel pensar que todos os anos que dividimos foram mais como um testes para mim, do que verdadeiramente a sensação de sermos uma família.

Não é fácil conviver do café da manhã até o horário do jantar, muito mal humor, questões difíceis a resolver e que ninguém tem paciência de nos ensinar de verdade, tem TPM, conversinha fiada... Isso só não é para mim, aliás, eu sempre fui diferente, e bem sabemos. Você sacudiu minhas certezas, até eu ter vontade de te expulsar, mas me faltou coragem. Fui mais forte conforme ia vivendo cada hora com vocês, fui aprendendo que a vida seria mais difícil, e sabendo que eu não os teria ao meu redor, meu coração amargou com uma dose extra. O desconhecido é ainda mais assustador do que o rotineiro.

Não nos misturamos, na verdade eu deixei bem clara essa divisão. Não foi como se pudessem me obrigar a compartilhar daquela ideologia torta dos 15 anos. Mas não se ofenda, entendo que não tinha como ser diferente. Não é como se tivéssemos sido aversivos uns com os outros, eu só não me sentia em paz, era como se eu ficasse tempo demais parada ao lado de quem não queria dar um passo rumo aos meus destinos.

Então o tempo veio e nos afastou, foi para o meu bem, e o seu também. Nem me lembro de tudo, e muito menos quero. Com o passar dos anos tudo o que vou ser capaz de lembrar vai ser como uma risada era tão contagiosa, como alguém conseguia dormir e ser quase um gênio, como alguém tinha tanta certeza de suas habilidades... Vou me lembrar das nossas despedidas, regadas a músicas da Cássia Eller e algumas lágrimas.

Eu também chorei, admito. Foram tempos importantes, por mais insuficiente que eu tenha me achado, foram especiais, são minha raiz. Quando eu precisar voltar para algum lugar, sei exatamente para onde ir. Ao redor daquela piscina, relembrando como nossos corações sentiam o aperto do fim próximo, em como nossas mentes inquietas e coração arrependidos se uniram em uma só voz em Só Hoje (Jota Quest) já prevendo que depois de nós viriam muitos outros, tão especiais quanto a gente. O arrependimento é um sinal de eramos sim importantes uns aos outros, só não sabíamos disso na época. Será que deixei algum punhado de boas lembranças em seus corações?

Seríamos superados. E sempre que encontro um ou outro daquela época, percebo quanta coisa fútil ficou pra trás, e só as marcas ficaram, algumas melhores do que outras, mas ainda assim um olhar de cumplicidade que brilha e grita de alma para alma: eu estive no seu passado! Obrigada.

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