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Drácula, herói e monstro.

16 dezembro 2014

Música do dia: This life and the next

Não pense separadamente nesta e na próxima vida, pois uma dá para a outra a partida. — Rumi (poema Life after death) - Drácula a história nunca contada.

Confesso que estava louca para assistir a umas semanas... e só consegui agora, na quarta passada (10/12), e vi o quanto estava certa em me atrever a isso, eu não sabia se teria muita violência ou não, se seria um filme que me deixaria cismada... Mas fui, e me apaixonei pelo Drácula, não só pelo ator (porque convenhamos que ele deixa tudo muito fácil de lidar haha) mas pela história narrada, alguns "fundamentos" históricos que teriam alguma pontinha de sentido, as vestimentas... Pesquisando um pouco sobre o filme, li uma frase interessante que não me lembro bem da onde foi, mas dizia que o filme combinava o real com o mito, no caso o mito dos vampiros e a realidade com o Conde Drácula e o príncipe Vlad (que é ninguém mais e ninguém menos do que Luke Evan - meninas já podem suspirar agora haha). E para quem não sabe quem é Luke Evans, eu terei o prazer de apresentar.
Agora sobre as guerras, nada a declarar, porque vi algumas coisas muito sem noção, mas que nem por isso estragaram o filme, só se distrair com o que o filme propõem e não focar nos detalhes lógicos e estratégicos de batalha que seriam um pouco óbvios... O que não sai da minha cabeça é... Se queriam tanto se vingar, e matar todos, por que vão mais de 1000 homens em cima de 1 único - que até então eles acha ser normal ? Sério, eles ficam ao redor dele, esperando a vez de serem liquidados praticamente, ninguém se move, ninguém avança sobre os domínios de Vlad, ou para a população, onde foi parar a estratégia nesses dois primeiros enfrentamentos? Não se deveria perder tempo quando se quer algo, conquistar algo, a vingança e o orgulho não andam sempre juntos com a paciência...
O filme tem em si as emoções e sentimentos muito bem marcados, e o poder que isso tem, tanto nas promessas, na vontade de viver e na morte, nas decisões... Mostram o quão difícil é escolher, e que todo mundo deveria saber lidar melhor com isso, se dedicando a, e que só assim as perdas seriam menores e suas dores também. Tem aquele conflito clichê entre o racional e o emocional, que são permeados e influenciados por tantas variáveis, que é um risco julgar de cara, os motivos são tantos e são tão interpretáveis, que de certa forma é até injusto não analisar para tirar qualquer conclusão; não é o tipo de conflito fácil de resolver muitas vezes, leva um bom tempo e aprendizagem, além de uma dose de intuição, para se tornar sensível a percepção de qual lado da moeda usar em determinada situação.
Os personagens em si tem uma força incontestável, uma representação marcante como a igreja, o povo, a nobreza, a pureza, a coragem, os monstros que nos habitam, o medo que nos circunda, a consciência de Vlad, que logo mais digo quem o é... Eles foram estruturados de tal forma que guiam a narração muito bem, eles se sustentam sozinhos e não se ofuscam, cada qual sabe a hora de se destacar.
O príncipe Vlad tem uma história de vida uma pouco trágica, por causa dos interesses turcos nas guerras e sua sede de domínio e conquista. Ele, como outras milhares de crianças, foram dados pelos pais e reis aos turcos para que se evitasse uma guerra em seus locais, o pai de Vlad fez isso; e com isso crianças desde muito jovens eram maltratadas e treinadas unicamente para serem excelentes guerreiros e matar sem pensar duas vezes. Depois de muito tempo e sendo perfeito no que lhe era esperado, Vlad vê o rastro de mortos e desiste desse caminho, ele volta a Transilvânia e se torna príncipe, governando por 10 anos em paz, constitui uma família (mulher e filho - Mirena (Sarah Gadon) e (Art Parkinson) como o filho lindinho deles). Porém como nem tudo são flores, o rei Mehmed (antigo amigo de Vlad, e um de seus admiradores) resolve querem mais do que impostos, e retoma a prática antiga de seu pai de exigir as 100 crianças, e Vlad não aceita - mesmo porque seu filho estaria condenado ao que ele passou-  declarando assim guerra a eles. Porém por serem um povo de paz, com um "exército" incapaz de combater os turcos que são os mais temidos na arte da guerra, quais seriam as chances?
No desespero e no auge do último pingo de esperança, Vlad recorre ao ser das trevas que conhece no início do filme, o monstro (Charles Dance) sem contar a ninguém, depois de saber pelo monge que o mal estava dentro dele e da profecia. Ele não via saída para vencer a guerra e poupar as crianças senão essa. Ao beber de seu sangue e fazer o pacto, Vlad se torna um vampiro com forças e poderes sobrehumanos, capaz de vencer 1000 homens sozinhos, controlar todos os elementos da noite, frágil a luz do dia, tendo apenas 3 dias para resolver a situação, pois em 3 dias se ele não se alimentasse tudo voltaria ao normal, e se caso o fizesse, seria imortal e um eterno vampiro. O monstro lhe explica sua história, e diz que ele é quem o iria libertá-lo da maldição e do engano que sofreu, e que assim sendo, ele o ajudaria em sua vingança, mas acho que ninguém - incluindo Vlad- perceberam esse último e pequeno detalhe haha.
Nesse ponto fica evidente o quão longe o amor pela mulher e o filho o levaram, por mais difícil que fosse ele suportou as tentações e tentou ser o melhor que podia nesses três dias, mas muitas coisas aconteceram, e sua própria Consciência (Mirena) o leva a romper com o plano inicial, pois nada deu tão certo como se esperava. É tão intenso que se você se deixar levar pelo filme, você é quase capaz de imaginar e sentir o que o Lorde Empalador (Vlad) sente e vive.
Ou seja, recomendo que assistam, porque é emocionante e apaixonante, não sou muito fã desses contos e histórias de terror, mas essa me fisgou, e foi por um conjunto de fatores, não só pelo bonitão do ator.
Aqui segue o trailer para quem ficou curioso, e para quem se interessou. Lembrando que o diretor dessa grande obra é o Gary Shore, e os roteiristas (segundo informações que andei procurando, se estiver errado, me corrijam por favor) Matt Sazama e Burk Sharpless. Parabéns, mandaram muito bem.



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