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Ser Professora e a Vida - 2015

30 novembro 2015

Ser professor é: repaginar o seu reflexo com alegrias e contratempos, perdidos no tempo.

Esse ano foi especial pois tive meu primeiro emprego, fora da carteira. Foi uma experiência muito rica e conturbada, onde tive muitos conflitos internos e externos, mas valeu a pena.

Sei que podia ter feito mais, mas o pouco que fiz já me valeu e muito. Eu comecei novinha demais para ser professora, começando aos 19 anos, sem quase nenhuma bagagem, com a cara e a coragem apenas. Nem tanta coragem assim, pois sou um poço de timidez - e eu era bem pior antes de trabalhar lá, acreditem, eu mal olhava para frente...- e onde já se viu um professor atuar bem sendo tímido? Não dá. Então acabei perdendo um pouco da minha timidez pelo caminho.

Dei alguns foras monstros na minha atuação, como era previsível. Mas aprendi muito, não só sobre sistema, como sobre cada aluno meu; creio que conquistá-los, e conquistar a confiança deles é que foi o mais trabalhos e o mais gratificante. Cada vez que um evoluía um pouquinho, eu vibrava.

Sempre fui A chata de todo os professores, meus alunos jogavam isso na minha cara diversas vezes, mas não me largavam, eles de certa forma gostavam. Eu fazia questão de ser diferente, e não só dos outros, mas surpreender eles com a minha capacidade de desafiá-los.

Fiz bons amigos, vivenciei emoções fortes demais na educação e nos conflitos pessoais dos meus alunos, o que me fez amadurecer uns 4 anos em um só. Fora meus conflitos pessoais que não podem ser esquecidos tão fáceis, e espero que eu tenha aprendido com cada erro meu, e principalmente com os dos outros. Pois se odeio algo, ou alguém, eu me recuso em qualquer hipótese em ser igual a, ou parecida. Meu lema é buscar o melhor.

Sobre a minha equipe, nada tenho a  reclamar do campo Pedagógico, e é só deles e das Recepcionistas que vou fazer questão de lembrar. Porque a gente leva com a gente o que foi bom, o resto a vida acaba deletando. Não me arrependo de ter bagunçado - no sentido de mudá-la toda- minha vida para trabalhar, pois com essa experiência eu descobri meu interesse em ser professora universitária, pois acho muito difícil lidar com adolescentes e crianças. 

Para quem não sabe, eu trabalhava com alunos dos 10 aos 63 anos, sem ser separados por idades ou níveis, só por horários, então por horário eu entrava em contato com 20 vidas completamente diferentes, e pessoas distintas em todos os aspectos. O que foi muito gratificante e importante para minha formação como pessoa e como psicóloga, pois tem tudo a ver com o curso que escolhi cursar: lidar com pessoas.

Eu aprendi que professor é mais do que um professor, ele vai ser tudo o que um aluno precisar, mãe, filha, amiga, confidente... O difícil é saber equilibrar essas necessidades todas de modo que elas levem ao desenvolvimento mútuo dos envolvidos. A gente vai experienciando dosagens dessas relações até que se acerte uma hora, com uma pessoa.

2015 valeu por demais por ter me dado a oportunidade de ser professora e aluna. Eu consegui montar meu plano de necessidades sobre o que um professor deveria fazer, no que e como atuar; não consegui praticar muito, mas espero ter outra oportunidade mais pra frente, quando eu estiver mais amadurecida, mais organizada, com mais bagagem e mais conteúdo para passar e impactar na vida das pessoas. Sei que deixei minha marca, assim como essa profissão deixou a marca em mim. 

O mundo precisa de mais professores humanos.

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