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Outra carta que não passou pela sua porta...

03 agosto 2016
Mas eu desconfio que a única pessoa realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.  — Luís Fernando Veríssimo
E se eu te confessar que a minha maneira eu te amei? Meio torto eu sei... Meio fora do esquadro, talvez. Mas oras, quem se assegura demais acaba sufocado ou perdido. 

Você já me achava louca nos nossos tempos de moleques, não? E o que teria a dizer se eu te confessasse que andei frequentando as aulas da loucura, e me medicamente periodicamente de dosagens luxuosas de sonhos fantásticos? Você ainda assim me estenderia a mão e me seguiria? Ainda assim aposto que aceitaria me ter ao seu lado, afinal que ótima companhia eu não haveria de ser? Já pensou, me levar por ai sem rumo, de mãos dadas e um riso largo como quem detém o mundo? 

Se eu te convidar você aceita sair para dançar? Não prometo te devolver a sua humilde residencia, nem nada do tipo... Admito ainda que é mais arriscado que não queiras nunca mais voltar a sua vidinha normal, talvez se vicie em alguns sentimentos, ou enlouqueça de vez nos braços imaginários de minhas histórias.

Pois bem, tenho tanto a te contar, há tanto que não te falei. Chego a envergonhar-me por ter sido tão desencorajada nos meus tempos de menina, mas como poderia ser diferente? Eu nada sabia desse mundo, não via muitas coisas boas e favoráveis; estava dando meus primeiros passos no escuro. E você estava lá também. Você também não me conduziu muito bem nessa viagem... Mas só de lembrar de seus olhares direcionados a mim, já me esqueço dos nossos tropeços, daquelas brigas infantis e sem nexo.

Sei que não sou muito confiável, mas quem seria depois de tanta decepção? Mas sem alardes, não guardo tanto rancores do mundo, e os poucos que restam eu ei de deixar ir com o vento enquanto me solto mundo a fora, não a vale a pena sair para explorar a vida com tanto peso na mala; e além do mais quero te levar comigo, minha mão continua livre para que a segure, em um convite silencioso rumo á cumplicidade. 

Não espero nada de ti, nem muito do que possa me dar; prefiro nem pensar. Quando não penso você me surpreende, me pega distraída e me entretém como ninguém. Ah se você soubesse o quanto fica lindo quando está confuso com aquelas palavras extensas que eu uso só para te confundir... Mais lindo ainda quando sorri. Mas pouco vi do seu sorriso, tu eras muito reservado. Que ousadia seria a minha se me fizesse sua melhor amiga só para arrancar-lhe algumas gargalhadas.

Melhor mesmo foi seu convite paciente a um contato maior. Cedi sem saber o que acontecia e me perdi, achei que tinha te superado, quando na verdade eu só tinha entrado em contato com o seu sentimento. Sabe aquela calma que meu coração sentiu conosco a sós naquela sala pequena no andar debaixo, e eu não te contei? Eu confundi aquela sensação com esquecimento, na verdade meu coração tinha entendido que era correspondido. Tola fui eu de não ter te convidado a sair dali para sempre comigo. Mas não tardo a convidar-te: você aceitaria?

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