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Espetáculo que silencia.

02 janeiro 2017
Matamos o tempo, o tempo nos enterra. — Machado de Assis
A verdade é essa, nada é tão duradouro que não possa caber em algumas palavras e direcionadas ao tempo. Somos instantes, somos momentos, somos apenas vertigens.

Há quem diga que o dialeto do coração é o que menos vem sendo aplicado nas nações, pois veja bem, acho que um dia me tornarei uma relíquia nesse quesito. O que mais me espanta não é a naturalidade como as pessoas tem encarado o morno, mas em como até o morno perdeu sua essência. Tudo parece meio de fachada, meio forjado.

A gente anda sempre na ponta do pé para não ser pego no flagra soltando um suspiro frustrado de quem não aguenta mais encenar. Mas quem  publicou que a vida é um grande espetáculo se esqueceu de dirigir-lhes a palavra de que tudo não passa do que exatamente é, nada é maior do que de fato é, não adianta enfeitar, embelezar, no final o espetáculo é o que tem que ser, é o que fazemos dele.

Esses dias chamei uma moça para dançar na chuva, ela recusou assustada, me fez de louca; mal sabe o que perdeu, a chuva é uma das melodias mais lindas da vida, quando está controlada, claro. Há tempos a natureza vem se descontrolando,mas nem por isso deixarei de mimá-la, de adorá-lá. Nosso coração também não é um poço de controle, mas é belo até mesmo do avesso.

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