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Sorri comigo mesma e fui viver minha vida.

19 junho 2016
Crescer é aceitar que os defeitos são peças indispensáveis no guarda-roupa e, felizmente, nunca saem de moda. — Clarissa Corrêa
Pergunto-me como sobrevivi até os 21 anos sem ter enlouquecido antes. Quanto tempo eu perdi... A loucura tem lá sua beleza; me sou tão rara, que agora sei como me cultivar apropriadamente.

Rasguei meus verbos e me fiz mais humana em cada esquina que deixei cair um pouco da minha curta vida, a curtos passos.

Desfiz-me das minhas antigas percepções e aceitei uma nova Eu, uma mais legal, mais simpática, que nem sempre vai estar certa, mas que vai estar sempre pronta para ser ela mesma. Sabe o quão louco é se apaixonar por si mesmo? Aquele frio na barriga passa a ser diário, as expectativas sobrevivem mas mudam de tom. A vida já te embala em outras melodias, e você dança mesmo que sozinha; quem sabe não aparece algum louco querendo se juntar a sua dança? A vida também é algo desse tipo, compartilhamento, momentos que são divididos no calar das existências.

Meu quarto já me pareceu pequeno, hoje ele tem cantos que ouso em descobrir; vez ou outra encontro uma meia de lembrança em algum canto, ou jogo um punhado de papéis sobre a mesa e finjo ser gente grande enquanto resolvo equações problemáticas que nem Einstein entenderia.

Os livros começam a ganhar vida, e alguns personagens dos meus tão queridos dramas vem me fazer companhia. Comem comigo, conversam comigo, esbarram em algumas histórias do meu pacato passado... Os personagens vão me mostrando partes de mim, que antes ninguém tinha me mostrado. O riso rola solto e a esperança de dias melhores, com doses homeopáticas de amor e sinceridade, transborda por cada célula do meu corpo.

Corpo esse que já foi mais magro, ele confessa. Anda meio arrebentado, mal cuidado; mais ainda tem força para enfrentar umas batalhas matutinas por essa Sampa adentro. Ás vezes bate aquela preguiça, mas nada que uma musiquinha coreana não resolva. Quanto a fome, essa acompanha sempre uma ansiedade que vem não sei de onde, e me invade não sei porquê. Há de ser porque passei dos 15 e agora os "contos de fadas" começam a se rascunhar de outras formas no meu imaginário?

Tornei-me rainha de mim mesma e guerreira dos meus sonhos. Quem diria que alguém tão frágil pudesse governar uma existência tão efervescente... Os riscos agora são outros, não vale a pena ficar parada esperando que algo caia do céu e tudo faça sentido; vai sem fazer sentido mesmo, meio torto, meio confuso... O importante é rir enquanto se vive, sorrir enquanto se ama a si mesmo, e conquistar cada vez mais o mundo.

Em 21 anos só entendi uma coisa, que a loucura de ser quem se é, mesmo que contraditória e meio frágil, é o mais belo passo de dança que a gente tem para com a vida; não tem como não ser aplaudida!

3 comentários

  1. Ah, quando a gente aprende a viver com nosso próprio eu e a aceitar o que somos, o que queremos, tudo se torna muito mais fácil ♥ Sempre digo que é preciso gostar de ter sua própria companhia para só depois esperar que alguém goste de nos ter por perto.

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  2. Quando aprendemos a nos aceitar e nos preocupar conosco em primeiro lugar, a vida fica um pouco menos complicada.
    Parabéns pelo texto.

    Beijos
    http://orangelily.com.br

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  3. Oh céus! Passeis dias, acho que semanas sem vir aqui e você me presenteia com esse texto belíssimo. Me fez chorar, os meus olhos se encheram, como se essas palavras estivessem sendo escritas para mim. Ao mesmo tempo, vi a personagem principal do meu futuro livro, com suas palavras que mexem com o coração, com sua personalidade forte.
    Me vi, vi meu personagem, e o melhor, te conheci um pouco mais. Aquele contato que o leitor tem com aquele que escreve. Foi tão simples e sincero e ao mesmo tempo cheio de significado. Dramas? Eu também os amo, sinto falta do mundo coreano na minha vida, a correria me fez entrar no mundo das horas e me esquecer de parar para ouvir uma boa música asiática e sair um pouco do clima ocidental e partir para o oriental, cultura tão sábia.
    Amei seu texto. Eu tanto me vi, como senti uma pontada daquilo que sinto falta, do que não consigo ser mais. Nesta mesma idade, eu descobri o que você escreveu. Dois anos depois novamente me perco nessa loucura onde as criança chamam simplesmente de "mundo dos adultos".
    Já disse que amei seu texto? Parabéns pelo seus passos de danças, nessa música que toca e você dança, desejo-lhe muito sucesso em todos os seus planos.
    Abraços.
    http://cantinhodasiz.blogspot.com.br/

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