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Ela e aqueles clichês nos quais só ela acredita...

26 julho 2016
”Alguns relacionamentos são como Tom & Jerry. Eles provocam um ao outro, irritam um ao outro, mas não podem viver sem um ao outro.”
Porque você sabe, não? Ela tem essa mania irritante de ser diferente, mas ser comum. Ela se enrosca em uns fios de pensamentos meio doidos, com direito a um tom de conto de fadas e textura de cinismo, que quase me assustam. Não sei como ela consegue... Eu não a entendo, e ela não faz nenhum esforço para eu eu possa.

Gosta dos contos de fadas, mas se nega a acreditar em algum, prefere a Anastácia do que uma Cinderela. Teima em argumentar que para ela mais vale a princesa desaparecida tirada da história real da humanidade, que fica com o vagabundo e larga um reino para trás; do que ser a emprega doméstica e obediente que é salva por um príncipe muito do enfeitado.

Ela vê a beleza no desarmonioso e ri para o acaso. Não há quem resista psicologicamente a tantas incertezas, é como viver andando na corda bamba. Segundo ela a corda bamba dá mais emoção do que um deserto inteiro para desbravar, só que no fundo ela deve é se atrair pelos dois cenários.

Não bate muito bem da cabeça, já que muda de opinião quando bem entende, mas explica sempre sua posição com o maior teor de convencimento possível; diz que triste é não ter ideia para mudar, garanto que ela surrupiou isso de algum livro... Mas mesmo quando muda de ideia, ou de humor, eu ainda posso ver que ela é a mesma, seus valores não são inconstantes, apenas sua forma de encarar o mundo, acho que é por isso que ela aceita certas companhias, não?

Ela é daquelas que lê bastante e assiste muitas coisas sem sentido, se entretém até com desenho animado, em plenos 20 e poucos anos. Ri como quem não tem preocupações com o amanhã, mas só eu sei como ela fica pilhada quando tem dúzias de trabalhos para entregar nos prazos certos. Por fora, uma calmaria em pessoa, por dentro, uma tempestade perigosa. Há quem a julgue pela calma e a desafie, ela não gosta, poucos sabem disso... Então ela aproveita o que a vida lhe dá e mostra que não se encaixa na calmaria, mas que passa tranquila por ela sim.

Há quem diga que ela não se encaixa em lugar algum, e outros que a agrupam em locais contraditórios; ela é tão extensa que consegue encantar e conter a ambivalência. Ela mesma não se vê em lugar algum, com ninguém; é daquelas que se julga intocável; mas que confessa, na calada da noite, que sente falta de Alguém. Quem é esse alguém, eu não sei; mas está estampado na sua personalidade que nem ela sabe ao certo.

É tão estranha que acredita no que não sabe, e ainda mais naquilo que a desafia. Amo desafios, suspeito que um dia um desses desafios ainda a levará para o túmulo. Mas quem disse que ela se importa? Ela vem descobrindo a vida e colorindo ela com tons inusitados; nem ela sabe que dança é essa que a embala durante suas descobertas. Ela não sabe quem é, mas diz que tenta descobrir. Como? Não sei, ela nunca parece estar empenhada em se definir...

Ela é de outro mundo, isso eu te garanto. Nada a define, nada a controla, nada a satisfaz; mas ela é incrivelmente feliz, em certos momentos claro... Já viu alguém assim por ai? Acho que são raridades... Devo colocá-la no potinho e  tentar vendê-la? Ou simplesmente a guardo com todo cuidado para valorizar ainda mais sua existência? Acho que ela se sentiria lisonjeada e nem um pouco rancorosa, pois até mesmo dentro de um potinho eu sei que ela é capaz de ser feliz.


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